ENTREVISTANDO O

DR. ANTÔNIO CÉSAR PERRI DE CARVALHO


          Divaldinho Mattos: Sendo amigo de Chico Xavier e ouvindo-o por longos anos, qual a importância de desfrutar deste convívio?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Durante quase vinte anos, visitei Chico Xavier com assiduidade, nas reuniões da Comunhão Espírita-Cristã, do Grupo Espírita da Prece e nas peregrinações, em Uberaba. Costumeiramente era convidado para falar durante as longas reuniões. Depois, estando próximo a ele, ouvi muitos comentários oportunos sobre as mensagens recebidas e durante seus atendimentos. Muitas vezes, ele interrompia algum comentário e se dirigia a mim. Outras vezes, em sua residência, privamos de momentos alegres e interessantes. Considero um privilégio ter desfrutado desse contato, enquanto ele estava a todo o vapor em suas tarefas.

          Divaldinho Mattos: Entre tantos trabalhos realizados por você, como escritor, gostaria de escrever algo sobre o sensitivo do século?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Já tenho escrito sobre Chico Xavier. A cada vez que voltava de Uberaba, escrevia algo sobre ele nos jornais de Araçatuba. Publiquei na RIE uma entrevista com vários líderes por ocasião do cinqüentenário da mediunidade de Chico Xavier. No livro “Em Louvor à Vida”, há episódios com Chico. Na imprensa espírita – “O Clarim”, RIE, Anuário Espírita e “Dirigente Espírita” – há vários artigos que publiquei sobre o notável médium do século.

          Divaldinho Mattos: Se fosse escrever, que faceta iria analisar: o Chico homem ou médium?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Tenho minhas observações sobre Chico como pessoa, que têm saído vez por outra na imprensa e em palestras. Noto uma certa idolatria em torno de Chico, o que não confere com sua maneira de ser. Em muitas ocasiões tenho escrito sobre sua monumental obra psicográfica.

          Divaldinho Mattos: Que colaboração prestou Francisco Cândido Xavier ao movimento USE e outros segmentos que conhece?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
A obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier sempre foi utilizada pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo para fundamentar suas ações e textos. Inclusive, em documentos que depois foram ampliados e transformados no opúsculo Orientação ao Centro Espírita (Ed.FEB).No recente livro USE – 50 anos de unificação (Ed.USE), está transcrita mensagem de Emmanuel, dirigida aos participantes do lº Congresso Nacional Espírita em São Paulo, que foi liderado pela USE, em 1948. Na obra citada aparecem registros de outros apoios de Chico Xavier.

          Divaldinho Mattos: E os que dizem ser Chico Xavier contra o movimento de unificação? Poderia escrever melhor a todos nós?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Durante as visitas a Chico Xavier, sempre percebi que muitos o procuravam para que ele referendasse, mesmo que induzido, seus pontos de vista. Aprendi a não valorizar tudo o que dizem que Chico Xavier falou. Sempre há toques do “intérprete”. Fui testemunha de algumas reclamações de Chico Xavier relacionadas com alguns órgãos de unificação, não contra a unificação, e isto por ocasião da fundação do Grupo Espírita da Prece, em 1975. Todavia, não podemos esquecer que as obras da fase áurea da produção psicográfica de Francisco Cândido Xavier foram publicadas pela Federação Espírita Brasileira. Esta apoiou, orientou e defendeu o médium desde o início de seus labores. Inclusive no processo movido pela família de Humberto de Campos. Os registros são evidentes, mas não há muito tempo, a FEB publicou o livro Testemunhos de Chico Xavier, onde Suely Caldas Schubert comenta a contínua correspondência entre Chico Xavier e o Presidente da FEB. Até nossos dias, a revista Reformador divulga e transcreve textos psicográficos de Chico Xavier. Os textos de sua lavra são adotados nas tarefas de unificação. Haja vista a conhecidíssima página “Unificação”, em que “apóstolo da unificação” e ex-Presidente da FEB Bezerra de Menezes escreve, em 1963, sobre o serviço de unificação. No dia 8 de julho de 1997, a União Espírita Mineira promoveu uma homenagem pelos 70 anos da mediunidade de Chico Xavier, e o orador foi o Presidente da FEB. Com tranqüilidade, digo que, se Chico Xavier fosse contra o movimento de unificação, ele estaria sendo incoerente com sua obra psicográfica e com todo o apoio recebido durante décadas.

          Divaldinho Mattos: Qual orientação advinda por intermédio de Francisco Cândido Xavier ao movimento USE e seus dirigentes?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Em várias respostas já enfatizamos a orientação advinda da obra psicográfica de Chico Xavier e apoios explícitos a movimentos liderados pela USE, agora relatados na recente obra USE – 50 anos de unificação. Tenho conhecimento que um diretor da USE era ligadíssimo a um grande amigo de Chico Xavier, freqüentador assíduo de Uberaba. Como Presidente da USE, visitei Chico Xavier em duas oportunidades, em eventos promovidos pelo Centro Espírita União, em São Paulo. Ouvi dele palavras de estímulo.

          Divaldinho Mattos: Sabemos pessoalmente que Chico Xavier orienta a cada um segundo suas obras é aos que tem ouvidos de ouvir, que ouçam, aos que têm olhos de ver que vejam. E você, que acha?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Testemunhei o mesmo fenômeno e no período que Chico Xavier atendia numeroso público. Insisto que sempre percebi que muitos o procuravam para que Chico referendasse suas ações e propostas. Chico Xavier, em alguns momentos, falava clara e diretamente, dando sua opinião. Outras vezes, falava por evasivas e via-se que nem todos compreendiam o alcance de suas palavras suaves.

          Divaldinho Mattos: Considera-o em que ponto: médium, homem ou que conceituação faria dos dois?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Em outra resposta já toquei no tema. Considero-o sob os dois aspectos. A figura de Chico Xavier como pessoa é muito pouco conhecida. Tende-se a idolatrá-lo, esquecendo-se de reações mais simples e naturais do ser humano e que, no caso dele, são muito interessantes. Quando Chico Xavier completou 50 anos de labores mediúnicos, ele humildemente declarou a um jornal espírita: “Faço força para ser o Chico Xavier que vocês pensam que sou...” Como médium, destaco a sua dedicação e persistência ao labor por tempo tão prolongado. Portador de vários dons mediúnicos, soube dar prioridade à sua tarefa maior, a psicografia.

          Divaldinho Mattos: Dentro do campo científico, em qual livro o amigo encontra respostas para tal?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Em várias obras assinadas pelo espírito André Luiz. Elas ensejam o cotejo com várias áreas da Ciência. Imagine a feliz expressão “a matéria é luz coagulada”...

          Divaldinho Mattos: Que fato, ante todos os comentados, um comentado por você que mais o comoveu? E um outro que tenha feito analisar e repensar tudo?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
Comovi-me em vários momentos: na conversa coloquial quando nos conhecemos, nas dedicatórias de livros que nos redigiu de maneira bem informal, em gentilezas por ocasião do nascimento de filhos meus e no atendimento carinhoso que dispensou a vários familiares. Nos seus atendimentos, principalmente na “peregrinação”, assisti a cenas muito humanas e cristãs. Isto é, são os aspectos de Chico Xavier como pessoa.

          Divaldinho Mattos: Definições para 87 anos de existência e 70 de mediunidade?
          Dr. Antônio César Perri de Carvalho:
A longevidade de Chico Xavier, com o respaldo de 70 anos de intercâmbio mediúnico, é o atestado de quanto a relação entre as duas Humanidades pode realizar em favor do bem da Humanidade. Ao se considerar a portentosa obra psicográfica de Chico Xavier e seus exemplos pessoais, pode-se concordar com a expressão de outros: “É o homem luz”!


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Extraído do livro “De Amigos Para Chico Xavier” – organizado por Divaldinho Mattos.