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DOGMAS QUE A RAZÃO
DESCONHECE
Pergunta – Uma família em Goiânia presenciou por várias vezes o fenômeno de pirogenia (fogo espontâneo) em colchões, objetos, etc. Um deles ocorreu na frente das câmaras da TV. Como se explica?
Henrique Rodrigues –
Normalmente o que se tem observado é que nesse fenômeno há, quase sempre, uma menina em idade pré-mestrual, atuando como agente. A mulher nessa fase acumula grande quantidade de energias. Se engravidar, essa energia vai alimentar o feto; do contrário, flui com a menstruação. Mas poderá também ser aproveitada por determinados espíritos, que dela se utilizam para produzir esses fenômenos de pirogenia ou movimentação de objetos.
Pergunta – O que dizer de espíritas que, no “Dia de Finados”, vão a cemitérios?
Henrique Rodrigues – Há uma ilha no Pacífico onde a população festeja o morto, porque crê que naquele instante o espírito está sendo desenterrado. E chora quando nasce uma criança, porque, no instante em que se deu a fecundação, o ser deu entrada no cativeiro que é o corpo físico.
Por que então vamos ao cemitério chorar nossos mortos? Isso é uma crueldade que se faz. Os chamados mortos estão longe dali! Ao visitar o túmulo de um ente querido, estamos forçando um encontro num lugar pouco adequado. Os finados não finaram! O que chegou ao fim foi o corpo.
Pergunta – A Igreja acaba de divulgar sua nova encíclica Fido et Ratio (Fé e Razão). Será a capitulação do dogmatismo frente à fé raciocinada?
Henrique Rodrigues
– Fé raciocinada só é aquela capaz de encarrar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade, ensinou Allan Kardec. De fato, a humanidade sempre foi heterogênea, constituída de pessoas mais desenvolvidas e outras mais ignorantes. Os sacerdotes se aproveitavam da sua relativa sabedoria para explorar as massas. E é o que vemos perdurar ainda hoje em muitas religiões, conservando fiéis à custa dos dogmas que a razão não pode aceitar, porque seus líderes vivem à custa desses rebanhos. O Espiritismo felizmente rompeu com isso, porque os dirigentes espíritas vivem do seu trabalho e não dos seus adeptos.
Pergunta – Quer dizer, há cerca de 150 anos o Espiritismo vem ensinando que fé e razão são aliadas...
Henrique Rodrigues –
O ser humano veio evoluindo devagarinho, mas em velocidade crescente. Quantos e quantos séculos foram necessários para o homem inventar a roda! No entanto, depois disso, quanta coisa surgiu! O Espiritismo não poderia ter vindo antes de quando veio, porque não teria sido aproveitado. Quando a seara está pronta, o mestre aparece. A necessidade busca o saciamento.
Pergunta – Como foi estar em Roma depois de haver publicado fotos proibidas do Museu das Almas do Purgatório?
Henrique Rodrigues –
Houve um mal-estar entre mim e os clérigos, mas eu não revelei a forma como obtive as fotos. Disse que as comprei de um camelô. Aliás, tudo se vende às portas do Vaticano, desde slides, vidros com pedacinhos de madeira que, segundo dizem, são farpas da cruz em que Jesus foi crucificado. Vendem-se vidros com as lágrimas de Nossa Senhora! Se Jesus retornasse hoje à Terra, teria de banir de novo os vendilhões do Templo, não com um chicote mas com um trator. O fato é que tenho comigo os slides do Museu do Purgatório, onde a Igreja possui 280 provas da manifestação dos “mortos”.
Pergunta – Como interpreta os novos avanços nas pesquisas dos fenômenos paranormais?
Henrique Rodrigues –
Alguns espíritas entraram em pânico quando a Parapsicologia surgiu, principalmente com as investidas do Padre Quevedo. Eu e o professor Hernani Guimarães Andrade, uma das mais brilhantes inteligências da seara espírita, sabíamos que aquilo era uma bomba de retardamento que iria explodir nas mãos deles. Aliás, muito se deve ao Padre Quevedo a projeção dada ao Espiritismo.
A Parapsicologia, longe de atacar e demolir a tese espírita, foi uma bênção do Alto, vindo comprovar, pelos fenômenos anímicos, a existência do espírito.
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Extraído do Jornal “Alavanca”, publicado no mês de outubro/novembro de 1998, n. 441.
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