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PIERRE-PAUL DIDIER
por Carlos A. Baccelli
(Uberaba - MG)
Pierre-Paul
Didier foi o primeiro editor das obras de Allan Kardec. Destemido,
expondo-se às retaliações da época, principalmente as que o clero
movia contra o Espiritismo, não receou comprometer-se, quer do ponto
de vista profissional ou social. Idealista, o Codificador nele encontrou
o companheiro que, certamente o Mundo Espiritual havia preparado para
a tarefa da divulgação espírita, de vez que, lendo as obras que editava,
acabou por se converter à Doutrina.
Quando
do sepultamento de Allan Kardec, discursando sobre o seu túmulo, assim
se expressou Camille Flammarion, em referência a Didier, o amigo desencarnado
em 2 de dezembro de 1865:
“Aquiescendo
com deferência ao convite simpático dos amigos do pensador laborioso,
cujo corpo terrestre jaz agora aos nossos pés, lembro-me de um dia
sombrio do mês de dezembro de 1865. eu pronunciava, então, supremas
palavras de adeus sobre a tumba do fundador da Librairie Académique,
do honorável Didier, que foi, como editor, o colaborador amigo de
Allan Kardec na publicação das obras fundamentais de uma doutrina
que lhe era cara e o qual morreu subitamente também, como se o Céu
quisesse poupar a esses dois espíritos íntegros o embaraço filosófico
de sair desta vida por um caminho diferente do caminho comumente recebido”.
Na “Revista
Espírita de 1866”, em seu número de janeiro, Kardec publicou
extensa nota necrológica sobre Didier, transcrevendo, inclusive, o
discurso que proferiu na “Sociedade Espírita de Paris”,
em homenagem ao amigo e colaborador. Aqui, reproduzido abaixo apenas
pequeno trecho das palavras com que o Codificador nos traçou o perfil
do primeiro editor de suas obras:
“Posto
o Sr. Didier, pessoalmente, não tomasse parte muito ativa nos trabalhos
da Sociedade, onde raramente usava da palavra, não deixava de ser
um dos membros mais considerados, por sua ancianidade como fundador,
por sua assiduidade e, sobretudo, por sua posição, sua influência
e os incontestáveis serviços prestados à causa do Espiritismo, como
propagador e como editor. As relações que com ele tive durante sete
anos permitiram-me a sua correção, a sua lealdade e as suas capacidades
especiais. Sem dúvida, como cada um de nós, tinha suas pequenas particularidades,
que não agradavam a todos, por vezes, mesmo, um gesto brusco, com
o qual era preciso familiarizar-se, mas que nada tirava de suas eminentes
qualidades; e o mais belo elogio que se lhe possa fazer é dizer que
em negócios se podia ir com ele de olhos fechados.
Comerciante,
devia encarar as coisas comercialmente, mas não o fazia com mesquinhez
e parcimônia. Era grande, largo, sem mesquinharia nas suas operações;
a atração do ganho não o teria levado a empreender uma publicação
que lhe não conviesse, por mais vantajosa que fosse. Numa palavra,
o Sr. Didier não era o negociante de livros, a calcular seu lucro
vintém a vintém, mas o editor inteligente, justo apreciador, consciencioso
e prudente, tal qual era preciso para fundar uma casa séria como a
sua. Suas relações com o mundo culto, pelo qual era amado e estimado,
haviam desenvolvido suas idéias e contribuído para dar à sua livraria
acadêmica o caráter sério, que a tornou numa casa de primeira ordem,
menos pela cifra dos negócios do que pela especialidade das obras
que explorava e a consideração comercial de que, a justo título, desfrutava
havia longos anos.
No que
me concerne, felicito-me por tê-lo encontrado em meu caminho, o que
devo, sem dúvida à assistência dos bons espíritos, e é com toda a
sinceridade que digo que nele o Espiritismo perde um apoio e eu um
editor tanto mais preciso quanto, entrando perfeitamente no espírito
da Doutrina, tinha verdadeira satisfação em propaga-la.”
* * *
Em justa
homenagem a Pierre-Paul Didier é que o Lar Espírita “Pedro e
Paulo”, de Uberaba, e o Grupo Espírita “Maria de Nazaré”,
de Votuporanga, fundaram a Casa Editora Espírita que lhe leva o nome,
somando esforços na propagação do ideal e, dando seqüência ao promissor
trabalho iniciado, fazem agora nascer o “Correio Didier”,
periódico espírita que pretende, enquanto aos Céus aprouver, continuar
com a pioneira tarefa daqueles que, abrindo picadas de luz, começaram
a desbravar a selva de nossa ignorância espiritual.
Saudando,
pois, jubilosamente, o “Correio Didier”, formulamos-lhe
votos de êxito no penoso mas gratificante empreendimento a que se
lança, abraçando os seus idealizadores que, certamente, haverão de
se manter sempre fiéis a Jesus e Kardec.
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Artigo que deu inicio à elaboração do “Correio Didier”,
em novembro de 1996.
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