MOVIMENTO ESPÍRITA ESPANHOL


Com objetividade, fala-nos Isabel P. González, a vice-presidente da Direção da Federação Espírita Espanhola, presidente da Associação Espírita Andaluza, presidente do Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec e diretora da
Editora Espírita Allan Kardec.


          Divaldinho Mattos – Como se iniciou o historial do movimento espírita espanhol?

          Isabel P. González –
O historial do movimento espírita espanhol iniciou-se no século passado, quando em Espanha existia já um movimento muito forte na Catalunha, com trabalhadores muito integrados no Espiritismo, como Amalia Domingo Soler, José Maria Fernández Colavida (o Kardec espanhol), Miguel Vives y Vives, etc. Miguel Vives foi o fundador da Fundação Espírita do Vallés, da qual surgiu a da Catalunha mais tarde, fortalecendo o movimento por muitos anos.

          Divaldinho Mattos – Existe algum fato específico que tenha dado o impulso para a sua expansão?

          Isabel P. González –
Sim, o Espiritismo cresceu pela mesma força da sua natureza universal, pela necessidade que há de procurar respostas e soluções aos muitos problemas do ser humano, que em Espanha são os mesmos. O fator específico é a necessidade: há muito materialismo na nossa sociedade e poucas respostas para muitas perguntas.

          Divaldinho Mattos – Como foi fundada a FEE?

          Isabel P. González –
A atual Federação iniciou-se no ano 1982, quando Rafael González Molina, seu anterior presidente, tomou a iniciativa de criar em Espanha uma Federação Espírita, depois de um lapso de 40 anos de silêncio, devido à Guerra Civil, que tanto prejudicou a doutrina, para unir os diversos grupos e proporcionar uma maior divulgação em Espanha.
          Era um tempo muito difícil, quase sem liberdade religiosa. Devemos muito a Rafael González Molina, com a sua coragem, naquele tempo.

          Divaldinho Mattos – Como está composta a atual Direção?

          Isabel P. González –
A sua Junta Diretiva está composta por Santiago Gené Mateu, presidente; Isabel Porras González, vice-presidente; Juan M. García Moscoso, secretário; e Juan M. Fernandez Muñoz, tesoureiro.

          Divaldinho Mattos – Qual a necessidade de criarem uma Federação?

          Isabel P. González –
Seria preciso falar acerca de um antes e de um depois. Antes da Guerra Civil, quando muitos espíritas e grupos funcionavam em outras federações, com um trabalho muito intenso, criando um movimento de grande expansão. Mas por serem espíritas e defenderem a doutrina, muitos espíritas, depois da Guerra Civil, foram fuzilados, encarcerados, etc. Na necessidade, como sempre, surge de um movimento incipiente. Havia grupos espalhados por Espanha, sem orientação, nem estudos, nem programa de trabalho, o que dá um estado de dispersão em muitos desses grupos espíritas. O objetivo da FEE é o de unificar, orientar e fortalecer os grupos. Ao princípio o trabalho fez-se com muita dificuldade; o trabalho solitário não é fácil.

          Divaldinho Mattos – Quantas associações federadas existem?

          Isabel P. González –
No momento temos 15 associações federadas e várias em perspectiva de se associarem em 1999. Encontram-se em mais de 10 cidades, repartidas pelo país: Reus, Igualada, Madrid, Valencia, Málaga, Montilla, Córdoba, Jaén, Orihuela, Villena, Alcázar de San Juan, Manzanares.

          Divaldinho Mattos – E as não federadas?

          Isabel P. González –
Em Catalunha, Andaluzia, Madrid, etc., repartidas no país.

          Divaldinho Mattos – Por que razão estas não são federadas?

          Isabel P. González –
As associações não federadas ainda não se acham preparadas para o trabalho de unificação, de divulgação, para assumirem responsabilidades, precisam de um pouco mais de tempo. Mas há por nossa parte muito otimismo em torno deste assunto, já que oferecemos toda a classe de facilidades para esta entrada na FEE, e há boa resposta por parte destes grupos, que algum dia, no futuro, ficarão incorporados na FEE.

          Divaldinho Mattos – Quais as atividades e o papel da FEE no movimento associativo?

          Isabel P. González –
Ainda estamos trabalhando para reformar a sua estrutura, depois da mudança da Junta Diretiva; mas o nosso maior empenho está na divulgação do Espiritismo no nosso país, a Espanha, um país muito católico. Temos muito interesse, de nossa parte, em dar a conhecer a Federação e as suas funções. No movimento associativo temos uma grande tarefa a realizar: as associações têm que saber e compreender a importância de uma instituição federativa, que associará centros e grupos, para fortalecer o movimento espirita, ajudando e colaborando sempre. Ninguém se deve sentir sozinho, no caminho espírita.

          Divaldinho Mattos – Que dificuldades têm encontrado para a realização destes planos?

          Isabel P. González –
As dificuldades radicam no desconhecimento do Espiritismo ou da sua menos correta interpretação, devido ao medo ou ao interesse de muitos de prosseguir na ignorância. A tarefa da unificação não é nada fácil: temos que lutar por vencer as nossas próprias imperfeições, pelo bem da doutrina, assim como na sua aplicabilidade no dia-a-dia.

          Divaldinho Mattos – Existem atividades para a juventude espírita?

          Isabel P. González –
Sim, existem atividades para a juventude e crianças dentro do movimento, sobretudo não esquecendo que as crianças de hoje serão os homens e mulheres do amanhã, os espíritas do futuro. Temos que cuidar muito bem desse assunto e incentivar a estudos, como o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, o Estudo Infanto-Juvenil. A juventude está muito perdida, sem alicerces morais fortes, iludida, com influências muito materialistas; é por isso que nosso trabalho deve ser focado neles.

          Divaldinho Mattos – O crescimento dos simpatizantes do Espiritismo é regional ou está sendo difundido uniformemente?

          Isabel P. González –
Está sendo mais ou menos uniformemente, embora haja religiões mais receptivas, como Catalunha ou Andaluzia, no Sul. Mas vamos encaminhando, com o nosso esforço, para que seja uniforme. O crescimento é uma realidade inegável, felizmente para todos.

          Divaldinho Mattos – Podemos ter uma idéia de como o Espiritismo está sendo aceito pelo povo e pelas instituições?

          Isabel P. González –
Sim, claro. O Espiritismo, face à necessidade que existe, está a ser bem aceito pelo povo em geral. Há muita inquietude a respeito, as pessoas não acham consolo nas suas crenças materialistas e procuram, sem saberem exatamente o que procuram. Recentemente foi criada a Associação Espírita Andaluza, devido à boa aceitação da doutrina na Andaluzia, região onde há muita inquietude e muitos grupos dispersos. A.A.E.A. ajudará, dentro da FEE, ao seu fortalecimento.

          Divaldinho Mattos – Estatisticamente é possível quantificar o atual número de espíritas?

          Isabel P. González –
Acho que não é fácil quantificar o número, já que as pessoas, mesmo considerando-se espíritas, têm receio de se unificarem. Muitos ainda gostam de caminhar sós, trabalhando na mediunidade exclusivamente, mas isso mudará com o tempo e com a nossa perseverança e tolerância para com eles, oferecendo uma imagem séria e uniforme. Só posso dizer que há um número considerável de espíritas, embora não seja muito grande.

          Divaldinho Mattos – Quais as perspectivas da FEE para o futuro que se avizinha?

          Isabel P. González –
Muito boas, já que o movimento vai crescendo dia a dia, com folga. Muitos estão já dispostos a assumir a sua quota de trabalho dentro do movimento. Temos projetos para realizar este ano e, sobretudo, no próximo ano. Programas de trabalho em vários campos de estudo e difusão. Vamos aprimorando os nossos trabalhos e atividades, aprimorando os congressos espíritas anuais, procurando o melhor para todos e fortalecendo os nossos centros, dentro dos postulados espíritas. Mas sem pressas, porque se passaram muitos anos de silêncio, de medo e de ignorância. Há que dar oportunidades a todos, para a livre aceitação desta doutrina de consolação e conhecimento.

          Divaldinho Mattos – Quantas editoras existem?

          Isabel P. González –
Existem três editoras espiritas e as suas denominações são: Editora Espírita Espanhola, em Madrid, Editora Amélie Boudet, em Barcelona, e Editora Espírita Allan Kardec, em Má1aga, da qual sou responsável.

          Divaldinho Mattos – Que dificuldades encontram na tradução do português para o espanhol?

          Isabel P. González –
Só nós é que fazemos este trabalho de tradução. Não é tarefa fácil, devido a não termos um bom conhecimento da língua portuguesa.

          Divaldinho Mattos – Como as superam?

          Isabel P. González –
Pois como tudo, com bom ânimo e muita ajuda do plano espiritual, que nos orienta nesta tarefa, assim como os irmãos do Brasil, eles confiam no nosso trabalho de tradução e autorizam as mesmas.

          Divaldinho Mattos – Têm algum apoio externo?

          Isabel P. González –
Acredito que não há apoio externo, mas não tenho certeza. Só posso falar por nós, Editora Espírita Allan Kardec. Só contamos com o nosso esforço material e a compreensão dos leitores. Não temos finalidade de lucro. É um trabalho com muitas satisfações.

          Divaldinho Mattos – A literatura espírita é bem difundida?

          Isabel P. González –
Sim, felizmente para o movimento. Cada dia há mais boa literatura em espanhol, que nos ajuda a instruirmo-nos.

          Divaldinho Mattos – Existem atualmente veículos de comunicação da mensagem espírita, tais como jornais, programas de rádio e TV, peças teatrais ou musicais, para uma boa qualidade da divulgação doutrinária?

          Isabel P. González –
Sim, temos muito empenho nisso. Criando áreas de trabalho como jornais, revistas, programas de TV (eu faço um todas as semanas). Temos um projeto nos próximos meses, para utilizar uma peça de teatro como meio de difusão. Estamos criando um Boletim da FEE. Acho que estamos num bom momento doutrinário de divulgação e entendimento, graças a Deus.