OS
DICUTIDOS ELEMENTAIS
Carlos
Antônio Baccelli, depois de consignar a presença e a atuação dos discutidos
elementais, em sua mais recente obra psicográfica – “Do Outro Lado
do Espelho”, responde-nos a algumas indagações.
Marcos
Ferreira – Prezado confrade Baccelli, ao descrever tão expressivamente,
no relato do Dr. Inácio Ferreira, em “Do Outro lado do Espelho”, a
ação dos elementais e, com vista às questões 536 a 540 de “O Livro
dos Espíritos”, bem como as citações nominais feitas por Edgard Armond,
às páginas 87 e 88 de seu livro “Mediunidade”, gostaríamos de saber
o que são, realmente, os elementais.
Carlos
A. Baccelli – Os chamados “elementais” fazem parte da cadeia
evolutiva da Criação Divina; são seres dotados de inteligência e sentimento,
sujeitos à reencarnação, na Terra ou em outros mundos... Não constituem,
por assim dizer, uma classe especial dentro do contexto da Criação.
Muitos de nós outros já estagiamos na condição em que se encontram
e nada há que impeça que tomem um corpo humano e vivam de acordo com
o grau evolutivo que alcançaram, em contato com homens, na indispensável
permuta de experiências que os fazem progredir. Qual nos acontece,
através de suas atitudes, revelam as suas inclinações para o bem ou
para o mal, servindo aos propósitos dos Espíritos Superiores ou aos
daqueles que intentam perturbar a ordem do Universo.
Marcos
Ferreira – Temos acompanhado diversos livros da sua lavra mediúnica
e, nesta entrevista, destacamos o mais recente lançado pela “Editora
Didier”. Trata-se do romance “Do Outro Lado do Espelho” (já entrando
em 3ª. edição), de autoria do prestimoso amigo espiritual Dr. Inácio
Ferreira. Então, poderia você dizer se, a exemplo do personagem Labelius,
nós também já passamos ou talvez venhamos a passar por elementais?
Carlos
A. Baccelli – Na cadeia evolutiva, não há salto nem retrocesso. É possível, sim,
que nós, seres humanos completos, mas ainda dentro do primitivismo
que nos caracteriza, já tenhamos sido “elementais” ou que, de outra
forma, ainda o sejamos. Os homens que não se socializam, os que estimam
viver isolados da civilização em estreito contato com a Natureza,
se identificariam com a condição daqueles espíritos que ainda não
se desvincularam das reminiscências infantis no caminho da evolução.
Destacaríamos, no entanto, que o “habitat” natural dos “elementais”
é, predominantemente, fora do corpo físico, ou seja nas dimensões
espirituais mais próximas do Planeta.
Marcos
Ferreira – Nós, espíritos em evolução, enquanto estamos na Erraticidade,
nos apresentamos na condição de espíritos revestidos de perispírito.
E os elementais, possuem também perispírito? E dotados das mesmas
propriedades e funções do nosso perispírito?
Carlos
A. Baccelli – À medida em que o ser se individualiza, o corpo espiritual, ou perispírito,
vai adquirindo contornos mais nítidos. Remeteríamos o estimado leitor
ao livro “A Evolução Anímica”, de Gabriel Dellane, que é um tratado
sobre a constituição do perispírito, do ciclo mineral ao hominal.
É evidente que, se o corpo físico nos reflete o corpo espiritual,
esse corpo espiritual nos seja reflexo da mente. Comparado aos de
seus ancestrais, o corpo físico do homem da atualidade é uma máquina
ultra-sofisticada.
Marcos
Ferreira – Os elementais fazem parte apenas de mundos ou planos existenciais
menos adiantados, ou seja, eles atuam somente em planetas do mesmo
grau de evolução da Terra?
Carlos
A. Baccelli – Tudo, na Criação de Deus, obedece a um espírito de seqüência. Nos
mundos e dimensões espirituais mais próximos da origem, os “elementais”
estão presentes. Nas esferas superiores, até a própria condição humana,
sendo primitiva, desaparece. A forma é limitação. Os “elementais”
são seres em transição e, portanto, povoam apenas os orbes que igualmente
assim se caracterizam. Não nos esqueçamos que, diante da sublimidade
dos Espíritos Redimidos, nós, seres humanos, ainda não passamos de
“elementais”, ocupando os primeiros degraus da Infinita Escada que
nos conduz à Perfeição.
Marcos
Ferreira – No referido livro, o Dr. Inácio Ferreira nos fala da insatisfação
dos elementais para com os espíritos encarnados. Assim sendo, gostaríamos
de saber se aqueles seres podem ajudar ou atrapalhar as criaturas
humanas, com toda a liberdade.
Carlos
A. Baccelli – Com toda a liberdade, é evidente que não. Há que haver receptividade
mental. Por outro lado, os “elementais” atuam mais nas esferas dos
fenômenos físicos. Obsessão, digamos, é coisa de espírito dotado de
inteligência, embora não de lucidez intelectual. A ação dos “elementais”,
pois, é mais restrita aos domínios da matéria, conforme se pode ler
em “O Livro dos Espíritos”.
Marcos
Ferreira – Conforme sabemos, este tema se torna, de algum modo, difícil
de entender e mesmo de aceitar. Nesse caso, você poderia revelar-nos,
resultante de sua longa convivência com Chico Xavier e seus Mentores
Espirituais, algum comentário ou relato sobre os elementais?
Carlos
A. Baccelli – Recordo-me de que Chico nos contou, certa vez, que, em sua casa, havia
desaparecido determinado objeto que, em vão, procurara por muitos
dias. O espírito José Grosso lhe apareceu e disse que pediria ajuda
para encontrá-lo a determinados amigos seus. Dentro de poucos minutos,
o objeto perdido foi localizado por um desses “elementais”, de cuja
existência muitos descrêem, mas dos quais a mitologia esta repleta
de exemplos. Agora, não nos indaguem a respeito do processo utilizado
para que o objeto de Chico Xavier fosse encontrado...
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