CATÓLICOS FALAM COM OS ESPÍRITOS
José Lucas (Portugal)
Falar com os espíritos, através de médiuns, sempre foi uma atitude banal ao longo da história da humanidade. Allan Kardec (o Codificador do Espiritismo) descobriu as leis que regem esse tipo de comunicações. Agora é a vez dos católicos dizerem que afinal é possível falar com familiares já falecidos. Ora veja!
O Padre Gino Concetti, comentador do “Osservatore Romano”, fala do Mais Além de uma nova maneira.
O Padre Gino Concetti, é irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, um dos teólogos mais competentes do Vaticano, e comentarista do “Osservatore Romano”, o diário da Santa Sé.
A intervenção do Padre Concetti, publicada num artigo desse jornal, é muito importante, porque aqui se vêem as novas tendências da Igreja a respeito do paranormal, sobre o qual, até agora, as autoridades eclesiásticas haviam formulado opiniões diferentes. Sustenta ele que, para a Igreja Católica, os contactos com o “Mais Além” são possíveis, e aquele que dialoga com o mundo dos defuntos não comete pecado se o faz sob inspiração da fé.
Vejamos pois alguns extractos da entrevista, publicada no “Jornal Ansa”, da Itália, em Novembro de 1996.
Resposta:
Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos,
que vivem na dimensão ultraterrestre, enviar mensagens para nos guiar
em certos momentos de nossa vida. Após as novas descobertas no domínio
da Psicologia sobre o paranormal, a Igreja decidiu não mais proibir
as experiências do diálogo com os trespassados, na condição de que
elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa, científica.
Pergunta:
Segundo a doutrina católica, como se produzem os contactos?
Resposta:
As mensagens podem chegar-nos, não através das palavras e dos sons,
quer dizer, pelos meios normais dos seres humanos, mas através de
sinais diversos; por exemplo, pelos sonhos, que às vezes são premonitórios,
ou através de impulsos espirituais que penetram em nosso espírito,
impulsos que se podem transformar em visões e em conceitos.
Pergunta:
Todos podem ter essas percepções?
Resposta:
Aqueles que captam mais freqüentemente esses fenômenos são as pessoas
sensitivas, isto é, pessoas que têm uma sensibilidade superior em
relação a esses sinais ultraterrestres. Eu refiro-me aos clarividentes
e aos médiuns. Mas as pessoas normais podem ter alguma percepções
extraordinárias, um sinal estranho, uma iluminação repentina. Ao contrário
das pessoas sensitivas, podem raramente conseguir interpretar o que
se passa com elas no seu foro íntimo.
Pergunta:
Para interpretar esses fenômenos, a Igreja permite-lhes recorrer aos
chamados sensitivos e aos médiuns?
Resposta:
Sim, a Igreja permite recorrer a essas pessoas particulares, mas com
uma grande prudência e em certas condições. Os sensitivos aos quais
se pode pedir assistência devem ser pessoas que levam as suas experiências,
mesmo aquelas com técnicas modernas, inspiradas na fé. Se essas últimas
forem padres, é ainda melhor. A Igreja interdita todos os contactos
dos fiéis com aqueles que se comunicam com o Mais Além, praticando
a idolatria, a evocação dos mortos, a necromancia, a superstição e
o esoterismo; todas as práticas ocultas que incitem à negação de Deus
e dos sacramentos.
Pergunta:
Com que motivação um fiel pode encetar um diálogo com os trespassados?
Resposta:
É necessário não se aproximar muito do diálogo com os defuntos, a
não ser nas situações de grande necessidade. Alguém que perdeu em
circunstâncias trágicas seu pai ou sua mãe ou então seu filho ou ainda
seu marido e não se resigna com a idéia do seu desaparecimento, ter
um contacto com a alma do caro defunto pode aliviar-lhe o espírito
perturbado por esse drama. Pode-se igualmente endereçar aos defuntos,
se tem necessidade de resolver um grave problema de vida. Nossos antepassados,
em geral, ajudam-nos e nunca nos enviarão mensagens nem contra nós
mesmos nem contra Deus.
Pergunta:
Que atitudes convém evitar durante contactos mediúnicos?
Resposta:
Não se pode brincar com as almas dos trespassados. Não se pode evocá-las
por motivos fúteis, para obter por exemplo um n.º do loto. Convém
também ter um grande discernimento a respeito dos sinais do Mais Além
e não muito enfatizá-los. Arriscar-se-ia a cair na mais suspeita e
excessiva credulidade. Antes de mais nada, não se pode abordar o fenômeno
da mediunidade sem a força da fé.
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