REVELAÇÕES ANTIGAS

                                                                                                        Domérico de Oliveira

          Há um livro Póstumo de Kardec — “L’Obsession” — edição da União Espírita da Bélgica – que nos apresenta revelações de espíritos tão autenticas que, seguramente, não nos deixam a mínima dúvida. Este livro, aqui no Brasil, contou com a tradução do nosso culto e saudoso Wallace Leal V. Rodrigues. Tive o prazer de haver recebido um exemplar deste livro, com dedicatória da Casa Editora “O Clarim”, nos idos de outubro de 1969. Lá se vão vinte e nove anos e, então, pensamos como correm os dias e também como corremos na turbulência de uma vida agitada. Confesso que sempre tive em mente a intenção de alinhar modesto comentário sobre uma das manifestações deste livro, mas outros temas foram tomando o meu espaço mental e assim fui adiando esse nobre propósito.
          Agora, graças a Deus, chegou a oportunidade. Vamos lá: Todas as manifestações mediúnicas deste livro contam com um valioso aval do nosso Mestre Kardec e submetidas ao rigoroso crivo da sua razão. Assim sendo, as comunicações que encontramos neste livro, induvidosamente, merecem todos nosso crédito e nosso máximo respeito. Encontramos, manifestações de “Espíritos Batedores” que são Entidades Medianas mas que nos prestam relevantes esclarecimentos. Esses espíritos, modestamente, pela tiptologia, revelam-nos ângulos interessantíssimos da espiritualidade. Vamos comentar, apenas, um fato que, por si só, prova-nos a realidade do mundo espiritual. Vamos nos deter na história do Espírito Batedor de Dibbelsdorf, região da Baixa Saxônia, Alemanha. Vejamos: No dia 2 de dezembro de 1761, às 6 horas da tarde, uma espécie de martelar, que parecia vir do chão, foi ouvido no quarto ocupado por Antônio Kettelhut. Este atribuiu o fato ao seu criado, que queria divertir-se à custa da empregada. Então Kettelhut apanhou um balde d’água para jogar na cabeça do aludido criado, mas não encontrou ninguém lá fora. Uma hora após, recomeçou o mesmo ruído: ele pensou que a causa fosse um rato. Então, cuidadosamente, examinou as paredes, o forro, o soalho e não encontrou o menor vestígio de ratos. À noite, recomeçou o mesmo ruído. Pouco depois cessou o ruído para reaparecer a cem passos de distância, na casa do seu irmão que se chamava Luiz. E lá o ruído foi ainda maior. Finalmente os ruídos tomaram proporções alarmantes e o fato foi comunicado à Justiça. As autoridades, de início, não quiseram ocupar-se de um assunto que consideravam ridículo. Entretanto, sob a pressão dos habitantes daquela pequena cidade, a Justiça, apresentou-se em Dibbelsdorf para examinar o fato, com a máxima atenção. As paredes e os tetos foram esquadrinhados, mas nada de anormal foi encontrado. Estava tudo perfeito. A família Kettelhut jurou que nada tinha a ver com aquela coisa estranha. Tudo isso foi acontecendo, até que, um dia, um cidadão da Naggam armou-se de coragem e perguntou:
          – Espírito batedor, você ainda está aí?
          Ouviu-se uma pancada, confirmando a presença do espírito.
          Então, estabeleceu-se um diálogo, entre aquele cidadão e o espírito e ambos se entenderam através de batidas convencionais (tiptologia).
          Como uma manhã clara e diáfana, a plena certeza do diálogo foi quando o interlocutor perguntou ao espírito:
          – Quantos botões há em minha capa?
          Foram dadas trinta e seis batidas. Contados os botões, verificou-se que eram mesmo trinta e seis.
          Pode-se pretender uma prova melhor de que esta? Cremos que não.
          Este espírito jamais se atrapalhou nas respostas. Queriam saber o número e a cor dos cavalos que estacionavam em frente à casa? Ele o indicava muito exatamente. Abria-se um livro de canto, punha-se o dedo ao acaso sobre uma página e pedia-se o número do trecho e logo uma série de batidas indicava perfeitamente aquele número. Meus amigos, este espírito Batedor não se fazia esperar na resposta que seguia imediatamente à pergunta. Quando perguntado, sempre pela linguagem da tiptologia, dizia quantas pessoas havia na sala, quantas do lado de fora, designava a cor dos cabelos, da roupa, a posição e a profissão dos indivíduos. Este mesmo espírito, à uma pasteleira disse quantos biscoitos havia feito pela manhã. Este espírito tinha um humor alegre, quanto os seus interlocutores tocavam uma marcha, ele (espírito) alegremente marcava o compasso através de batidas.
          Meus amigos, não devemos desprezar esses nossos espíritos batedores. Eles não são portadores de grande sabedoria, mas nos revelam certas verdades que se tornam indispensáveis para o nosso conhecimento da espiritualidade. Sim, particularmente, sou grato aos espíritos batedores que, através dos processos mais simples e mais rudimentares, nos provaram e, ainda, nos provam a certeza inabalável da imortalidade. Eles, por certo, nos ajudam a construir as pirâmides que consolidam, cada vez mais, a nossa Fé.