FICAR OU NAMORAR?
Recente
pesquisa encomendada pela MTV brasileira teve como resultado que 94%
dos 2.500 jovens de 12 a 30 anos entrevistados têm planos de se casar.
A maioria deles (65%) sonha com união à moda antiga, no civil e no
religioso. Segundo o psicólogo Fernando Acosta, “por causa da cultura
do “ficar”, muitos jovens reclamam da solidão. Eles têm liberdade,
mas se sentem sós”.
Ainda
segundo mostra a pesquisa, a geração nova está gradativamente substituindo
o relacionamento passageiro pelo romantismo, considerando que um longo
período de namoro é o ideal para se chegar ao casamento.
Muitos
jovens afirmaram que assistiram ao casamento dos pais não dar certo,
o que os levou a uma intensa procura de liberdade, mas essa procura
ocasionou um vazio existencial e que agora eles repensam as atitudes,
analisando o que não deu certo no relacionamento dos pais, procurando
então derrubar as resistências quanto ao casamento.
Considero
muito importante os resultados dessa pesquisa, embora ela possa não
refletir com exatidão o pensamento e o comportamento dos jovens de
todas as classes sociais, mas é importante, porque mostra que os próprios
jovens estão chegando à conclusão que simplesmente “ficar” não é o
melhor na vida. Aliás, no conceito da atual geração de jovens e adolescentes,
“ficar” possui um conteúdo muito elástico. Pode significar ficar junto
para um passeio ou um baile, ou ficar junto durante uma noite, com
ou sem o ato sexual, ou ainda ficar por alguns dias, numa espécie
de namoro rápido, ou... Enfim, o conceito é amplo e contempla, muitas
vezes, a plena realização sexual, embora não se assumam compromissos,
mas apenas o prazer do momento.
Sempre
lembramos aos jovens de nosso convívio que o outro é também um ser
humano, não é coisa descartável e insensível, e que a troca de sentimentos
sempre gera responsabilidades; ou gostaríamos de ser trocados por
outro(a), como se fôssemos um copo descartável, desses que depois
de usados vão para o lixo?
O namoro
prolongado, substituindo a figura do noivado, é bem-vindo, desde que
para construir um relacionamento tendo por base o afeto, o conhecimento
interior do outro, o fortalecimento dos ideiais, pois quem espera
consertar o namorado ou namorada depois do casamento, já vivendo sob
o mesmo teto, engana-se. É durante o namoro que devem os enamorados
se conhecer, ou seja, conhecer as virtudes e os vícios do caráter
um do outro, não se deixando levar apenas pelas aparências.
É durante
o namoro que as conversas sobre o lar, família, filhos, rosas e espinhos
devem aflorar, procurando-se a opinião e o estudo de exemplos dos
mais velhos, sejam eles os pais ou professores.
Recomendo
que as escolas, do ensino fundamental às universidades, através do
serviço de apoio pedagógico e psicológico, trabalhem grupos de apoio
à família, reunindo pais e responsáveis, assim como devem aproveitar
os chamados temas transversais ou projetos, para fazer com que os
educandos estudem, pesquisem e debatam assuntos como namorar, “ficar”,
relacionar-se com o outro, liberdade sexual e assim por diante, para
que possamos formar uma geração mais cidadã, mais ética, porque o
grande problema do Brasil é, sem dúvida, a questão moral.
Envolver
a família no processo educacional e os jovens no ritmo da escola e
da vida é de fundamental importância para a renovação social, embora
uma grande maioria de pedagogos discurse que o professor é um transmissor
de conhecimentos e não um formador de consciências. A história já
mostrou quem está com a razão e tenho certeza que o tempo futuro mostrará
que estou certo em me preocupar com a nova geração que, amanhã, estará
aqui mesmo escrevendo em meu lugar e, naturalmente, substituindo você,
amigo leitor.
Por tudo
isso é que acredito no namorar, noivar, casar, não como um ritual
apenas para agradar aos padrões sociais, mas como tempo de construir
uma relação.
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Transcrito de artigo publicado pelo Instituto Brasileiro de Educação
Moral, em dezembro de 1999, de autoria do educador Bruno Zaminsky
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